Projeto de pesquisa, UFPB
Incorporação de corantes naturais encapsulados de frutos de cactáceas: pitaya vermelha (Hylocereus polyrhizus) e xique-xique (Pilosocereus gounellei) em filmes biopoliméricos ativos para aplicação em alimentos
Descrição
A crescente preocupação com os impactos ambientais associados ao uso de polímeros sintéticos tem impulsionado o desenvolvimento de materiais biodegradáveis, renováveis e funcionais para aplicação em alimentos. Nesse contexto, filmes biopoliméricos produzidos a partir de matrizes naturais vêm sendo investigados como alternativas promissoras às embalagens convencionais, por apresentarem potencial de barreira, biodegradabilidade e possibilidade de incorporação de compostos ativos. Paralelamente, os corantes naturais têm ganhado destaque por atenderem à demanda por ingredientes mais seguros, sustentáveis e tecnologicamente funcionais, especialmente quando associados a compostos bioativos. Dentre esses pigmentos, destacam-se as betalaínas, responsáveis por tonalidades vermelho-violeta e amarelo-alaranjadas, com potencial antioxidante e aplicação em sistemas alimentícios pigmentados. A pitaya vermelha (Hylocereus polyrhizus) constitui uma fonte já reconhecida de betalaínas, especialmente betacianinas, presentes tanto na polpa quanto na casca, sendo esta última um subproduto com potencial de valorização. O xique-xique (Pilosocereus gounellei), cactácea nativa da Caatinga, também apresenta frutos pigmentados e compostos bioativos, mas ainda é pouco explorado quanto à obtenção e aplicação tecnológica de seus corantes naturais. Diante disso, este projeto propõe o desenvolvimento e caracterização de filmes biopoliméricos incorporados com corantes naturais obtidos de pitaya vermelha e xique-xique. Os extratos pigmentados serão obtidos por extração hidroetanólica, encapsulados por atomização em spray dryer com maltodextrina e posteriormente incorporados em soluções filmogênicas à base de proteína do soro e glicerol, para obtenção dos filmes pelo método de casting. Os materiais desenvolvidos serão avaliados quanto às propriedades físico-químicas, colorimétricas, mecânicas, de barreira, estruturais, térmicas, funcionais, antimicrobianas e estabilidade durante o armazenamento. Espera-se obter filmes pigmentados, biodegradáveis e funcionalizados, com potencial aplicação em sistemas alimentícios, contribuindo para a valorização de frutos de cactáceas, o aproveitamento de subprodutos vegetais e o desenvolvimento de materiais sustentáveis. Além do avanço científico e tecnológico, o projeto se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente aos ODS 9, 12 e 15, ao promover inovação, consumo e produção responsáveis e valorização da biodiversidade regional.
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