Projeto de extensão, UFPB
VII Mostra Artística Bixa Exibida: edição itinerante Guarabira
Descrição
Resumos: Resumo da História do Projeto A primeira Mostra Artística Bixa Exibida foi inicialmente criada e gestada em 2019 com o apoio, organização e execução das integrantes de outro projeto de extensão (o Cine Trava - PROBEX/UFPB). Assim, já desde a sua primeira versão, a Mostra contou com a participação ativa e atuante da população LGBTQIAPN+ tanto na sua organização, quanto na sua execução, ajudando a perceber o quão valiosa é a intenção e a efetivação de uma Mostra como esta que se propõe em agregar e dar visibilidade às pessoas LGBTQIAPN+ de dentro e de fora da universidade que produzem arte e cultura com temáticas voltadas às questões de gênero, sexualidade e raça. E, apesar do grande sucesso da nossa I Mostra realizada na cidade de João Pessoa (Campus I/UFPB), avaliamos nossas ações e percebemos as inúmeras dificuldades de se colocar um projeto de extensão em execução já consagrado e com uma agenda cheia de atividades, tal como é a Cine Trava, concomitantemente à organização de um evento do porte da Mostra Artística Bixa Exibida, que demanda um preparo de meses de antecedência para se concretizar. Assim, em 2020, nos reorganizamos internamente e propomos o projeto de extensão da II Mostra Artística Bixa Exibida (à parte do Projeto da Cine Trava – mas com algumas das suas integrantes no apoio técnico), buscando incentivos através do edital UFPB no Seu Município. Porém, essa edição da Mostra acabou por ter sua execução realizada apenas de maneira remota (online) diante do momento pandêmico (COVID19) e do isolamento social que vivíamos naquele ano. Em 2021, diante das incertezas que ainda estávamos experimentando e da vontade de poder fazê-la de forma presencial novamente, fato que ainda não seria possível, optamos por não propor a Mostra. No ano de 2022 retomamos as atividades presenciais na UFPB e resolvemos apostar nas margens enquanto potências dissidentes. Seguimos então com uma proposta de interiorização com III Mostra Artística Bixa Exibida para a cidade de Rio Tinto, litoral norte da Paraíba e sede do Campus IV da UFPB. A Mostra de 2022 foi um sucesso! Com exposições fotográficas, cine-debates, palestras, rodas de conversas e oficinas organizadas a partir da temática LGBTQIAPN+ e de suas intersecções. Tivemos apoio da prefeitura da cidade para algumas atividades externas na praça João Pessoa e também apoio da Universidade para as atividades internas. Estudantes de graduação de vários cursos, tanto do Campus I, quanto do Campus IV, além de jovens LGBTQIAPN+ moradores da cidade, compareceram e participaram do evento de forma ativa. Em 2023, repetimos o desafio de executar a IV Mostra Artística Bixa Exibida em Rio Tinto, mas com algumas atividades de pré-mostra em João Pessoa (com exibições fílmicas e performáticas no Cine Bangüe). A Mostra nesse ano movimentou um processo de territorialização curatorial através de um espaço de exibição de expressões artísticas das mais variadas linguagens; permeando entre performances, produtos audiovisuais, expressões literárias e intervenções urbanas. Em 2024, conseguimos fomentar a V Mostra Bixa Exibida, dessa vez organizada e executada em sua totalidade por estudantes do campus IV e moradores LGBTQIAPN+ das cidades do entorno. Mudamos o formato até então realizado e propomos uma Mostra que tivesse uma sequência de pré-eventos (que chamamos de oficinas) que seriam executados nos meses anteriores à data da Mostra. Sendo a Mostra em si um espaço de exposição/apresentação dos produtos produzidos nas oficinas executadas ao longo dos meses anteriores. Essa edição foi um sucesso de público e de participação ativa da comunidade acadêmica e não acadêmica em toda a sua execução. Já a VI Mostra também realizada no campus da UFPB em Rio Tinto (2025), repete o sucesso do modelo de oficinas implementado no ano anterior, construindo e fortalecendo pontes e parcerias importantes dentro do Vale de Mamanguape com uma equipe composta por membros que estudam, moram e/ou residem nas proximidades do campus IV, mantendo seu foco principal em alunos/as e artistas LGBTQIAPN+. Uma Mostra que segue com seu trabalho em ressignificar e promover debates importantes e necessários sobre questões de gênero, sexualidade e raça através da arte e de suas diferentes formas de expressões. Com seis edições concluídas com sucesso, a Mostra Artística Bixa Exibida consolida-se como um espaço fundamental da Universidade Federal da Paraíba para a promoção da arte, da inclusão e da discussão sobre as lutas e vivências das pessoas LGBTQIAPN+, demonstrando que essas pautas são ferramentas poderosas de transformação social, capazes de desafiar estereótipos, promover a sustentabilidade e fortalecer identidades socialmente marginalizadas. A integração entre teoria e prática, a valorização de saberes tradicionais e inovadores, e a participação ativa da comunidade (acadêmica e de moradores/as do entorno) têm sido elementos-chave para o sucesso do projeto. A mostra não apenas alcançou seus objetivos de promover a arte e a inclusão nestas seis edições, mas também deixou um legado de reflexão e inspiração para futuras iniciativas nossas e de outras propostas que, com certeza, virão. A continuidade de eventos como este é essencial para garantir a permanência e a ascensão de corpos dissidentes dentro dos espaços universitários e institucionais, reafirmando a universidade como um local não só de formação teórica e profissional, mas também de valorização da diversidade, de estímulo à criatividade e de resistência social. Resumo da Proposta para 2026 Diante do resumo histórico aqui brevemente apresentado, é importante deixar claro que este projeto de extensão, a cada ano, busca ampliar seus estudos sobre produção cultural e curatorial, possibilitando a visibilidade e a divulgação de artistas dissidentes de sexo, gênero e raça não só da/na Paraíba, mas também de outros estados do nordeste brasileiro, permitindo cada vez mais independência, continuidade e potência a esse evento que já se constitui como um importante acontecimento acadêmico anual da UFPB. Como a Mostra já teve muitas edições, há docentes, mas também e principalmente, discentes extensionistas que permanecem no Projeto ano após ano, o que possibilita que a Mostra e o próprio projeto de extensão tenham não só um caráter de continuidade, mas também, um modo de fazer coletivo e colaborativo desde o seu início. Este projeto de 2026, por exemplo, foi escrito por várias mãos, desde integrantes de edições passadas da Mostra, mas também integrantes do Cine Trava. Neste ano, nossa intenção é continuar a execução da Mostra Artística Bixa Exibida, só que agora com uma proposta piloto itinerante, afastando-se do conforto da estrutura já pronta da UFPB, tal como tem sido nos campi de João Pessoa e Rio Tinto. Assim, seguiremos para a cidade de Guarabira, município do agreste paraibano, conhecida popularmente como “Princesa do Agreste” e “Rainha do Brejo”, por sua posição de pólo comercial e de serviços para toda a sua microrregião. Com aproximadamente 60 mil habitantes, a cidade ocupa um lugar singular no mapa cultural do Nordeste. Guarabira tem uma história íntima com a arte há mais de 100 anos. A cidade possui uma tradição cultural documentada e robusta, uma tradição que inclui o cordel, o cinema de rua, o teatro, as artes visuais e uma companhia cênica com mais de trinta anos de existência. A chegada do cinema de rua ao município foi, no final da década de 1920, uma iniciativa que fez das ruas da feira livre da cidade uma das primeiras do interior paraibano a experimentar essa forma de cultura. Nos anos mais recentes, esses espaços abrigaram eventos de alcance regional e nacional. Na metade dos anos 2000, por exemplo, o Teatro Geraldo Alverga foi, por diversas vezes, palco de performances de drag queens locais, tal como a Salomé e a Alycia Scaranzy, além da saudosa Pitty Bomba Atômica. Nas duas paradas da diversidade do brejo paraibano nos anos de 2005 e 2006, e em outros eventos esporádicos, o teatro foi usado como plataforma para performances multiartes, encontro de direções de pontos e pontões de cultura (Lei 13.018/2014 Política Nacional Cultura Viva). Mais recente ainda, o 7º Festival Internacional de Arte Naif, realizado em maio de 2026 no Casarão da Cultura, reuniu 100 obras de 80 artistas selecionados de 16 estados brasileiros e cinco países. E a 1ª Mostra Sesc de Artes Visuais do Brejo Paraibano, também em 2026 (maio e junho), consolidou Guarabira como referência para as artes visuais regionais. Esses precedentes históricos e atuais das movimentações artísticas em Guarabira abrem margem para percebermos que corpos dissidentes LGBTQIAPN+ no espaço cultural da cidade não são uma novidade, mas sim, possuem uma continuidade. Dessa forma, realizar a VII Mostra Artística Bixa Exibida em Guarabira é tanto um ato de valorização e reconhecimento, como também de ocupação territorial, visto a concentração massiva dos circuitos de arte LGBTQIAPN+ acontecerem nas grandes capitais brasileiras, aprofundando desigualdades e invisibilidades. Artistas dissidentes do interior enfrentam um duplo apagamento: o de gênero e sexualidade, e o de localização geográfica. Romper com essa lógica, levando para o interior do estado, não apenas com intuito de exibir, projetar, apresentar, mas de construir com os próprios artistas locais — pessoas que vivem, criam e resistem em Guarabira, permanecendo com a premissa de pluralizar em todos os aspectos a plataforma da Mostra, é nossa principal missão. Realizar uma mostra artística com diferentes linguagens e com recorte explicitamente LGBTQIAPN+ no interior da Paraíba é um ato de ruptura com a concentração metropolitana da cultura queer no Brasil. Assim, diante do que foi contextualizado, na VII Mostra Artística Bixa Exibida, nossa intenção é continuar fomentando um espaço dedicado ao debate crítico de questões ligadas à gênero, sexualidade e raça (nossos eixos temáticos principais desde o início do projeto). Contudo, como estamos chegando em um “novo lugar” de atuação da Mostra, nesta edição propomos inicialmente um mapeamento de artistas locais e de equipamentos culturais da cidade, além de uma dinâmica metodológica dialógica de rodas de conversa com produtores e artistas LGBTQIAPN+ locais para pensarmos juntos a construção da Mostra Bixa Exibida na cidade de Guarabira. Vale destacar que temos alunos extensionistas, colaboradores e o próprio coordenador adjunto deste projeto que são moradores da cidade de Guarabira e que já estão se movimentando para a articulação de reuniões de planejamento e mapeando os artistas locais que queiram colaborar nessa construção (ver detalhamento no tópico Metodologia). A diversidade de linguagens artísticas representada neste mapeamento inicial (ver tópico Metodologia) é expressiva. Estão presentes produtores culturais com trajetória de circulação regional e nacional, artistas visuais e designers gráficos com produção independente ativa, performers e dançarinos, artistas drags com experiência em palco, poetas e rappers que articulam um recorte de diversidade à cena do rap e hip hop, e outros artistas que transitam entre mais de uma linguagem. Destaca-se ainda a presença de diferentes gerações que somam como mais um fator de resistência e continuidade da arte dissidente de Guarabira. Assim, a VII Mostra Artística Bixa Exibida: edição itinerante, tem como objetivo principal contribuir para a difusão, o fortalecimento e a visibilidade de produções imagéticas, artísticas e corporais produzidas pela população LGBTQIAPN+ da/na cidade de Guarabira/PB. E também, de fomentar a experimentação cultural e circulação de conhecimento nas margens através de uma arte dissidente de sexo, gênero e raça. O público alvo que frequentará nossa Mostra constitui-se principalmente de pessoas LGBTQIAPN+ moradoras da cidade e de seu entorno, mas também de pessoas não LGBTQIAPN+ que se interessem pelas temáticas abordadas no evento. Nossa intenção é contribuir para uma sociedade mais compreensiva no que diz respeito às questões de diversidade sexual, gênero e raça a partir do compartilhamento de experiências, emoções, múltiplas formas culturais e artísticas. Procuramos também e principalmente pautar as discussões que atravessam diariamente os corpos de uma população dissidente de gênero, sexualidade e raça, visando, a partir de um processo coletivo e compartilhado, traçar um caminho discursivo e crítico, mas também, artístico e artivista (arte+ativismo). Com uma proposta metodológica que inclui, resumidamente (para ver detalhes da proposta em suas diferentes fases, ver o tópico Metodologia): Fase 1 - Mapeamento Artístico e Articulação com os Aparelhos Culturais de Guarabira (já em andamento com previsão de término entre agosto e setembro de 2026); Fase; 2 - Reuniões de Planejamento da Mostra (entre as pessoas organizadoras da Mostra, produtores e artistas locais de Guarabira) para pensar sobre as questões e demandas artísticas e culturais atuais da cidade que tenham como tema central as questões de gênero, sexualidade, raça, imagem, arte e corpo (com previsão para setembro e outubro/2026); Fase 3 - Divisão e Planejamento Interno das Comissões (infraestrutura, comunicação, apoio logístico e patrocínios e curadorias artísticas) para a organização da Mostra em si (com previsão para novembro e dezembro/2026); Fase 4 - Execução da VII Mostra Artística Bixa Exibida: edição itinerante Guarabira, que deve ocorrer em janeiro de 2027, a partir da execução das fases acima descritas; Fase 5 - Pós-Mostra, que consiste na organização e finalização do material da Mostra nas redes sociais e elaboração dos relatórios de extensão do projeto (fevereiro de 2027). Como é possível visualizar até aqui, a proposta deste projeto de extensão se justifica a partir de uma necessidade local, nacional e internacional em promover reflexões sobre e com a população LGBTQIAPN+ e não-LGBTQIAPN+ na perspectiva de combater violências, na busca de um melhor bem-viver e conviver através da mediação ativa da arte e da cultura. A Mostra Bixa Exibida, em suas diversas edições, baseia-se teoricamente nas teorias de construções e reconstruções subversivas de gênero, sexualidade e raça. Essas subversões seriam a possibilidade de acionamento de um “recurso subalterno de sobrevivência” (Pelúcio, 2012) para a população LGBTQIAPN+. Lembrando que falar de saberes subalternos não é simplesmente “dar voz” aos que foram privados de fala, mas sim, pensar em outras formas de linguagem, no caso aqui, de corpos dissidentes socialmente rejeitados e das sexualidades não padronizadas na heterossexualidade cisgênera. Seguimos nesse mesmo tom quando destacamos o termo “bixa” (propositalmente grafado com ‘x”) presente no título deste projeto e que surge exatamente da proposta de transformar, de forma transgressora e irreverente, algo com tons socialmente pejorativos (“bixa”), em resistência e militância. Uma “militância do marginal”, que desestabiliza a ordem e foge de processos normalizadores; que questiona a “naturalidade” da regulação sexual e do dispositivo cis-hetero-patriarcal. Por fim, a linguagem artística, ativista e cultural surge como uma proposta provocativa e capaz de incitar reflexões potentes e debates críticos não-violentos. Ainda, como atividade Pós-Mostra, intenta-se transformar a experiência de organização e execução do evento como um todo em imagem, tendo como produtos, além da execução da VII Mostra Artística Bixa Exibida: edição itinerante Guarabira, a confecção de teasers (pequenos filmes de divulgação – antes e durante a Mostra) e de um álbum virtual das obras apresentadas no evento e disponibilizadas no nosso instagram @mostrabixaexibida. Intenta-se ainda elaborar um artigo em formato de relato de experiência que aborde a construção e execução da Mostra e que possa ser publicado em revistas nacionais e internacionais que tratem das temáticas propostas na Mostra.
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