Projeto de extensão, UFPB
TERRITÓRIO LIVRE DE PRINCESA: MEMORIAL E FOMENTO À CULTURA E TURISMO HISTÓRICO
Descrição
Entre as raízes histórico-identitárias da Paraíba, seletivamente, no aspecto político, há enorme representatividade do conjunto de episódios dos movimentos de 1930, que possibilitam amplas e polissêmicas interpretações, destacamos os aspectos relativos às vivências societárias da época, as divisões de identidade Capital/Sertão. De um lado, a efervescência urbana, um hiato na identidade política regional, e a mitificação de João Pessoa. Na outra perspectiva, a vida sertaneja e a resistência efetiva na região da Serra do Teixeira, com centralidade no município de Princesa Isabel que, sob a liderança do Coronel Zé Pereira, levou à criação do Território Livre Princesa. Com um conjunto de episódios que há quase um século mantém alta representatividade sociocultural para a Paraíba, tanto que ainda perdura uma identidade paraibana político-cultural congelada naqueles atribulados e marcantes dias de 1930, dependente de um “túnel do tempo”, continuamente utilizado em formulações simbólicas para que o Estado tenha representatividade no imaginário local e nacional. Contudo, as narrativas históricas dos episódios do Movimento de 1930 são conhecidos quase que somente pelas narrativas oficiais, segunda a conhecida regra de apresentar apenas os relatos dos vencedores, sendo que os fatos vividos pela população da região da Serra do Teixeira, principalmente após o término de sua insurgência, contém muitos casos de perseguições aos familiares, inclusive descendentes, de Zé Pereira, João Dantas, João Suassuna, e de outros revoltosos, alvos de com perseguições, perdas econômicas, estigmas sociais e até mesmo assassinatos. Conjunto de múltiplas ocorrências não reveladas, não devidamente descritas e interpretadas em função não apenas do litígio armado com as tropas de João Pessoa, mas também relativos às configurações socioculturais do quadrante geográfico da Serra do Teixeira. Quadro que levou à organização da Instância de Governança Territorial da Serra do Teixeira (IGR) -, que reúne 12 municípios – da Microrregião da Serra do Teixeira, pertencente à mesorregião do Sertão Paraibano –. a decidir pela elaboração de um memorial que relate os fatos do Movimento de 1930, nas versões dos habitantes desses municípios, que tiveram antepassados envolvidos na Insurreição do Território Livre de Princesa e nas consequências posteriores, com narrativas que já passaram por quatro gerações, além das marcas que foram ficando no percurso do tempo no patrimônio cultural material, imaterial e ambiental: arquitetura, costumes, tradições, memórias, saberes, fazeres, literatura, ecologia, entre outras. Para a elaboração do Memorial, há um acordo entre a IGR e o nossa equipe extensionista, propositora dessa proposta para ser o grupo executor do trabalho, que também agirá pragmaticamente no sentido utilizar a produção para fomentar o turismo histórico regional. Assim, um leque de oportunidades para aprofundamento teórico multidisciplinar por parte dos membros do grupo, com docentes e estudantes das graduações turismo, jornalismo, história, teatro e mídias digitais, com experimentos práticos, principalmente com aprendizados e atividades dialógicoa com o conjunto de agentes locais: equipe da APLA, agentes da IGR Serra do Teixeira, stakeholders da cultura e do turismo e população em geral, um rico intercâmbio de conhecimentos e experiencias. No desenvolvimento das atividades o emprego de estratégias de inovação e da economia criativa, inclusive de forma a demonstrar como o passado é elemento para iniciativas de inovação. Com destaque para ações de comunicação e marketing cultural, de modo a proporcionar maior visibilidade ao projeto à sociedade regional, dos municípios da região da Serra do Teixeira, de modo a se conseguir a maior colaboração possível ao projeto, com articulações para se implantar e manter bons canais de informação e relacionamento com a mídia, para o alcance de veiculações espontâneas, ou seja, como notícias ou reportagens, sem ter de pagar pelos serviços, e também com a população em geral. Também se destaca na Ação o fato de realizarmos um detalhado inventário histórico-cultural sobre os documentos, narrativas e arquiteturas locais, com pesquisas e registros em formato digital, em que as narrativas memoriais serão dispostas às consultas públicas e gratuitas em website e redes sociais. Trata-se, portanto de elaborar uma enciclopédia digital cultural do patrimônio cultural imaterial, material e ambiental
Candidatar-se
Entre na sua conta para enviar uma carta de intenção à coordenação deste projeto.