Projeto de extensão, UFPB
Ações para Conservação da Biodiversidade das Sementes Crioulas de milho no Território da Borborema-PB: patrimônio genético e cultural dos agricultores familiares (ANO VII)
Descrição
As sementes crioulas, adaptadas às condições locais em que são cultivadas, são resultado de um processo de adequação a cultivos e técnicas de manejo de agricultores, que vem sendo realizado de geração em geração, em uma ação contínua que envolve conhecimento, tradição e cultura, sendo fundamentais para a implementação da agroecologia. O milho tem reconhecida importância cultural no Nordeste brasileiro, na segurança e soberania alimentar e nutricional e, como forragem para os animais, especialmente, nos períodos de estiagem. O Território da Borborema-PB é considerado uma Zona de Conservação de Biodiversidade, onde foram identificadas 15 variedades de milho na Rede de Bancos Comunitários de Sementes (BCS), dentre as quais 5 presentes no Brasil apenas neste Território. No entanto, este patrimônio vem sendo ameaçado pela fecundação cruzada com variedades transgênicas, colocando em risco à diversidade genética conservada pelas famílias agricultoras. Em 2018, o índice de contaminação foi de 47,5 % e, em 2024 foi 22,2 %. Este projeto, integra-se e amplia as Campanhas “não planto transgênicos para não apagar minha história” e “criação de áreas livres de transgênicos”, desenvolvidas pela ASPTA e outras instituições, e tem como objetivo desenvolver ações participativas para preservação das sementes de milho crioulo, buscando reduzir sua contaminação pelas variedades transgênicas nos agroecossitemas familiares do Território da Borborema-PB. Assim, busca-se, através deste projeto, contribuir para a conservação da diversidade genética das variedades de milho presente nos Bancos de Sementes Comunitários (BSC) e Familiares (BSF), o empoderamento das comunidades através do acesso a informação, a segurança e soberania alimentar e nutricional das famílias agricultoras, o fornecimento de alimentos saudáveis e o desenvolvimento sustentável local. O projeto será desenvolvido junto aos agricultores familiares que adotam práticas agroecológicas em 11 municípios do Território da Borborema, que possuem menos de 150 mil habitantes e, que compõem a Rede de BSC: Queimadas, Solânea, Areial, Casserengue, Remígio, Alagoa Nova, Arara, Esperança, Montadas, Lagoa Seca, São Sebastião de Lagoa de Roça. Através do monitoramento da contaminação do milho crioulo serão disponibilizadas informações sobre a contaminação das amostras a partir de testes com fitas imunocromatográficas, a evolução/involução do índice de contaminação, o impacto da contaminação, as variedades com maior índice de contaminação, as perdas de sementes e de produção, as formas de prevenção adotadas e sua eficácia, entre outras. Estas informações permitem que os agricultores e técnicos das instituições possam monitorar a contaminação do milho crioulo, identificar as estratégias positivas no combate a contaminação, adotar estratégias para evitar erosão genética, bem como disponibilizar um conjunto de informações que servirão de subsídios para a formulação e implementação de políticas públicas que propiciem as condições adequadas para o processo de desenvolvimento local sustentável e preservação cultural e do patrimônio da região. O projeto está alinhado aos preceitos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS), em especial a ODS 2, que busca a produção de alimentos saudáveis, com quantidade suficiente e adequada do ponto de vista ambiental e social, expressando uma riqueza de conhecimentos e práticas associadas.
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