Projeto de extensão, UFPB
Preservação e Divulgação do Acervo de Obras Raras da Biblioteca Central da UFPB: Uma Janela para o Passado
Descrição
A preservação e a difusão do patrimônio bibliográfico constituem-se como dimensões essenciais da Ciência da Informação, na medida em que permitem a continuidade da memória social, cultural e científica. Como afirma Jardim (1995, p. 46), “a construção da memória institucional depende de políticas de preservação que assegurem a permanência dos registros informacionais, garantindo acesso às futuras gerações”. Nesse sentido, o acervo de obras raras da UFPB representa um testemunho documental que necessita ser tratado tecnicamente e divulgado, tanto para fins acadêmicos quanto para a valorização cultural da sociedade. Segundo Innarelli (2011), a conservação e a preservação de documentos devem ser entendidas como práticas que envolvem não apenas técnicas de restauração, mas também políticas institucionais que possibilitem a salvaguarda contínua do patrimônio. Essa abordagem é reforçada por Camargo e Bellotto (1996), ao destacarem que a preservação documental deve articular-se às funções arquivísticas e biblioteconômicas, formando um conjunto de práticas integradas que visam manter a integridade e a acessibilidade da informação. A dimensão digital, por sua vez, traz novos desafios. Higgins (2008), ao apresentar o Modelo de Curadoria Digital do DCC (Digital Curation Centre), destaca que a preservação deve ser entendida como um processo cíclico que integra planejamento, ingestão, armazenamento, acesso e reuso dos dados e documentos. Essa perspectiva é fundamental para a segunda fase do projeto, que prevê a digitalização e a difusão das obras no Repositório Institucional da UFPB, garantindo sua perenidade e alinhando-se às exigências contemporâneas de acesso aberto. No contexto brasileiro, Silva e Siebra (2017) ressaltam que a curadoria digital deve ser incorporada como prática estratégica nas instituições arquivísticas e bibliotecas, possibilitando tanto a proteção contra a obsolescência tecnológica quanto a valorização social da informação. Para os autores, “a curadoria digital é um processo que articula preservação e acesso, possibilitando que os acervos informacionais sejam continuamente reutilizados em novos contextos” (SILVA; SIEBRA, 2017, p. 89). A extensão universitária é um eixo fundamental para a consolidação dessa proposta, visto que conecta a universidade à sociedade. De acordo com a Política Nacional de Extensão Universitária (FORPROEX, 2015, p. 49), a extensão “adquire maior efetividade se estiver vinculada ao processo de formação de pessoas (Ensino) e de geração de conhecimento (Pesquisa)”. Assim, o projeto de obras raras integra os três pilares universitários, formando discentes, produzindo conhecimento científico e ampliando o acesso social à informação. Em síntese, o referencial teórico demonstra que a preservação e a curadoria de acervos raros não se limitam a técnicas de conservação, mas representam um campo estratégico da Ciência da Informação, articulando ensino, pesquisa e extensão, além de responder às exigências sociais de valorização do patrimônio cultural e científico.
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