Projeto de extensão, UFRN
Acessibilidade no Museu de Ciências Morfológicas e Novas Tecnologias: A Materialização 3D da Biodiversidade Microscópica.
Descrição
A ressignificação dos museus contemporâneos como instrumentos de inclusão social e políticas públicas exige que esses espaços transcendam a mera guarda de acervos para se tornarem agentes ativos na eliminação de barreiras comunicacionais e atitudinais. Desta forma, o presente projeto se apresenta como uma iniciativa estratégica para a consolidação do Museu de Ciências Morfológicas (MCM) como uma referência em museologia inclusiva. Com um fluxo anual de cerca de 15 mil visitantes, o MCM busca, por meio desta proposta, romper com o modelo de contemplação puramente visual para se tornar um espaço de efetiva democratização do saber e enfrentamento ao capacitismo. A urgência do projeto justifica-se pelo cenário de exclusão escolar, no qual a ausência de recursos táteis em áreas como microbiologia e parasitologia condena estudantes cegos a um aprendizado meramente verbalista, contribuindo para que cerca de 75% dos alunos com deficiência não concluam a educação básica no Brasil. Diante disso, buscamos sugerir uma ferramenta de inovação social que visa converter o "mundo invisível" das estruturas microscópicas em modelos físicos tangíveis e audiodescritos. A fundamentação teórica adota o modelo social da deficiência, priorizando a eliminação de barreiras comunicacionais e atitudinais por meio do Desenho Universal para a Aprendizagem e da Curadoria Acessível e Participativa. A tecnologia de impressão 3D (técnica FDM com filamento PLA) é apresentada como uma solução sustentável e de baixo custo, capaz de materializar dados digitais complexos em instrumentos mediadores que facilitam a construção de imagens mentais precisas. Através da articulação entre a audiodescrição e o toque, o projeto permite que a palavra e a percepção háptica "esculpam" o conhecimento biológico, garantindo que o museu e a escola se tornem espaços de contato e descoberta para todos os públicos. A metodologia é executada em ciclos de ação e reflexão, iniciando-se com a capacitação técnica de estudantes, monitores e professores da rede pública em cursos de audiodescrição e impressão 3D. O desenvolvimento do acervo é conduzido por um grupo multidisciplinar que realiza desde a modelagem digital em softwares como Blender e Tinkercad e/ou utiliza modelos já prontos de repositórios gratuitos como Thingiverse e Printables, até a análise rigorosa de protótipos junto a consultores cegos. Esse processo culmina na criação de kits táteis especializados para as áreas de microbiologia e parasitologia, acompanhados por estudos de recepção que validam a eficácia pedagógica das peças junto a alunos da rede pública de ensino e pessoas com deficiência visual. Ao final do projeto, espera-se não apenas a formação qualificada de recursos humanos, mas a implementação de um modelo de mediação museal acessível que possa ser replicado em larga escala. O desdobramento futuro mais ambicioso prevê a distribuição desses kits táteis para escolas estaduais de ensino fundamental e médio, promovendo o sucesso escolar e a aprendizagem significativa. Com essa abordagem, a UFRN e o MCM reafirmam seu papel na produção de tecnologias assistivas e na garantia do direito fundamental de acesso à cultura e à ciência em igualdade de condições.
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