Projeto de extensão, UFRN
OLINC (Observatório Olhares Inclusivos na Capacitação e Práticas em Educação Especial)
Descrição
A educação inclusiva na rede básica de ensino enfrenta lacunas significativas entre as diretrizes teóricas e a operacionalização de estratégias pedagógicas acessíveis. A carência de instrumentos mediadores que auxiliem o planejamento docente motivou a criação do projeto OLINC, que objetiva desenvolver e validar o ÍRIS (Inventário de Recursos, Estratégias, Práticas Inclusivas e Saberes do OLINC), uma tecnologia social baseada no Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). Através de uma metodologia de pesquisa-ação e da Transposição Didática, o projeto utiliza a formação continuada como alicerce, onde professores da rede pública produzirão trilhas de aprendizagem e recursos multimodais. Estas produções serão sistematizadas para compor a arquitetura do Inventário ÍRIS, que será validado em ciclos de aplicação real. Espera-se, como resultado, a consolidação de uma tecnologia social participativa, a certificação docente e a implementação de um Observatório digital de livre acesso, fortalecendo a interação entre a UFRN e a sociedade no alcance do ODS 4 e ODS 10. A implementação de uma educação efetivamente inclusiva enfrenta o desafio histórico de transpor diretrizes legais para a prática pedagógica real. O projeto justifica-se pela identificação de uma acentuada carência formativa no corpo docente da educação básica, que dispõe de arcabouço teórico, mas carece de instrumentos mediadores para operacionalizar a acessibilidade curricular. Ao propor uma formação baseada no DUA, o OLINC ataca a raiz da exclusão: o planejamento rígido. O DUA permite que o ensino seja concebido para atingir a todos desde a sua gênese, eliminando adaptações segregadoras. A inovação do projeto reside no protagonismo docente, atuando na lacuna entre teoria e prática por meio da criação do ÍRIS. Esta tecnologia social será construída de forma ascendente, valorizando a autoria dos professores ao sistematizar os recursos e saberes gerados durante a formação. No âmbito acadêmico, o projeto atua como um laboratório vivo, promovendo a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Para a graduação, oferece vivência prática e fortalece a curricularização da extensão; para a pós-graduação, serve como campo de validação de metodologias ativas com dados reais. Além disso, o OLINC funciona como polo irradiador de práticas inclusivas para os próprios docentes da UFRN, promovendo uma cultura de acessibilidade institucional e elevando os indicadores de produção técnica e social. A sustentação teórica do projeto articula o DUA, a Acessibilidade Curricular e a Transposição Didática. O DUA fundamenta-se nos três princípios de engajamento, representação e expressão, utilizando a multimodalidade para garantir que a informação chegue por diversos canais sensoriais. Para enfrentar a carência formativa, utiliza-se a teoria da Transposição Didática de Yves Chevallard, transformando o "saber sábio" acadêmico em "saber ensinado" aplicado à escola. O ÍRIS, como produto final, baseia-se no Design Baseado em Evidências (EBD), assegurando que cada estratégia catalogada seja testada e validada no cotidiano escolar. A metodologia será executada em ciclos mensais de março a dezembro de 2026. Inicialmente, ocorrerá o planejamento e a imersão teórica com os docentes. Em seguida, serão realizados laboratórios de criação onde os professores desenvolverão as Trilhas de Aprendizagem e recursos multimodais. A equipe técnica realizará então a transposição destes materiais para a arquitetura do ÍRIS, organizando-os em categorias de recursos e saberes. O protótipo será validado pelos docentes em suas turmas, gerando feedbacks para o refinamento final. O bolsista terá papel central na mediação pedagógica, auxiliando na produção de materiais e na alimentação do Observatório OLINC. O orçamento de R$ 5.000,00 será destinado à produção desses materiais didáticos e kits de criação, enquanto o plano de divulgação prevê o uso de redes sociais e do portal do Observatório para disseminar o inventário. Os resultados esperados incluem a entrega do instrumento ÍRIS validado, a formação de professores na rede pública e a criação de um repositório de práticas acessíveis que garanta a sustentabilidade da ação após o encerramento do edital.
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