Projeto de extensão, UFRN
Título: Interações dialógicas nos Ciclos de saberes indígenas das comunidades e escolas indígenas do RN. MIKUATIAMIRI 7
Descrição
O projeto de extensão MIKUATIAMIRI 7, em sua sétima edição - todas com apoio de editais da PROEX/UFRN - tem como objetivo geral colaborar na realização de Ciclos de saberes indígenas envolvendo as escolas e comunidades de cada Território Indígena do estado do RN, demanda apresentada à Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo - APOINME/RN, pelo Fórum Estadual de Educação Escolar indígena do RN. Essa demanda também foi apresentada ao grupo da coordenação do referido projeto de extensão pela relação que vem sendo construída, desde a primeira edição em 2020, entre docentes e discentes do Centro de Educação com lideranças indígenas dos territórios Mendonça, Rio dos Índios e Caboclos do Assu. A primeira edição do projeto desenvolveu-se ao longo do ano de 2020 e a segunda em 2021 e resultaram na publicação impressa de MIKÛATIAMIRI - pequeno livro sobre saberes linguísticos do povo Mendonça Potiguar ( Andrade et al, 2021) e de ABAMA ENDUASÁBA: Memórias dos povos indígenas do RN. Territórios: Mendonça, Caboclos do Assu e Rio dos Índios (Santos et al, 2021). Nas edições seguintes foram mapeados, apresentados, registrados em vídeos e cadastrados no sistema ACERVUS da UFRN (ainda em fase de cadastro e não publicizado) materiais de apoio didático-pedagógicos produzidos por professores indígenas do Território Mendonça. Esses materiais vêm diretamente colaborar com a implementação da Lei 11645/2008 Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Conforme documento produzido e sistematizado pelo referido Fórum em reunião realizada em dezembro de 2025, os ciclos têm como objetivo “informar e fortalecer as comunidades indígenas sobre o direito à educação escolar indígena diferenciada, específica, intercultural, bilíngue e comunitária” e “busca ampliar o conhecimento sobre a legislação, as políticas públicas e os princípios que garantem uma educação escolar indígena.” Os ciclos serão espaços/tempos de encontros entre e com lideranças indígenas, professores/as indígenas, anciãos com notório saber, jovens indígenas e a comunidade de modo geral de modo que a partilha de saberes, neste primeiro momento, se dê em torno da “luta coletiva sobre os direitos educacionais, contribuem para a valorização das identidades, línguas e saberes tradicionais. Além disso, estimulem o envolvimento da comunidade na gestão e no acompanhamento das escolas indígenas, fortalecendo a autonomia e a luta por políticas educacionais adequadas”. Esses tempos/espaços serão definidos com as comunidades indígenas que também definirão o local de sua realização, que deverá contar também com a contribuição de outras instituições para a logística, em especial da alimentação, o que já está sendo captado pelas organizações indígenas. Pretende-se que cada ciclo tenha duração de 8 horas. Sua realização vem tanto ao encontro da implantação do Território Etnoeducacional Potiguara do RN: raízes e ancestralidade, o caminho vivo da Educação Escolar Indígena, criado a partir da Portaria do MEC nº 539 que institui a PNEEI/TEEI (Política Nacional de Educação Escolar Indígena nos Territórios Etnoeducacionais) quanto fortalece e subsidia a (re) elaboração dos Projetos Políticos Pedagógicos das escolas indígenas, também orientados e previstos como uma das contribuições do Curso de Licenciatura em Educação Intercultural - LICEEI/UFRN, em execução com financiamento do Parfor/Equidade da Capes/MEC, em especial dos componentes de Estágio Obrigatório. Evidencia-se, assim, a relação efetiva deste projeto de extensão com a LICEEI/UFRN e com os cursos de licenciatura em Biologia e Pedagogia em função de componentes optativos como “Perspectivas decoloniais para o ensino de Ciências”. Uma das contribuições do projeto de extensão MIKUATIAMIRI 7 será colaborar na construção de estratégias metodológicas e tecnológicas de partilha, de sistematização e de registro de cada ciclo em áudio e vídeo, o que torna necessária a contribuição de um bolsista, preferencialmente indígena e com experiência no audiovisual. Dentre os cursos com potencial, destacamos o curso de Comunicação Social que busca formar um bacharel que “ Nas áreas de produção, direção, design de produção, fotografia, roteiros, sonorização, montagem e edição de produtos audiovisuais de diferentes gêneros, formas e formatos, destinados à veiculação nas mídias contemporâneas públicas, privadas e estatais” (PPC do Curso); a Licenciatura em Ciências Sociais da UFRN que tem como um de seus objetivos “desenvolver uma formação que possibilite o exercício do licenciando para a coordenação de programas e projetos institucionais no âmbito da educação básica da educação popular e dos movimentos sociais para a gestão pedagógica na educação básica” (PPC, 2019) e a Licenciatura em Educação Intercultural Indígena que objetiva “promover a formação de professores pesquisadores indígenas da e na sua prática pedagógica, com postura investigativa e propositiva em face dos contextos culturais, sociais, étnicos, políticos, econômicos, ambientais e linguísticos dos povos indígenas e de suas comunidades, articuladamente aos projetos educativos dos referidos povos” (PPC, 2023). Vai também na direção da formação de “pedagogas/os pesquisadoras/es da e na sua prática com postura investigativa, integrativa e propositiva em face de realidades complexas, sensível às diferenças, capaz de contribuir para superação de exclusões sociais, étnico-raciais, econômicas, culturais, religiosas, políticas e outras; comprometido com as práticas educativas problematizadoras em espaços escolares e não escolares” (UFRN- PPC Pedagogia presencial, campus central/2017, p.25). Os estudantes bolsistas e voluntários integrarão o grupo da coordenação compartilhada do projeto, que é composta também por docentes da UFRN e lideranças indígenas. Essa é uma das bases metodológicas do projeto que se instaurou desde a primeira edição e vem se consolidando como a instância de planejamento, acompanhamento e avaliação de todas as atividades do projeto de extensão MIKUATIAMIRI. Outra base metodológica será a participação efetiva do projeto junto ao Fórum Estadual de Educação Escolar indígena integrando o grupo que coordenará o processo de planejamento, realização, registro e avaliação dos ciclos. E conforme documento, em anexo, produzido e sistematizado pelo referido Fórum, em reunião realizada em dezembro de 2025, a expectativa é de que com a realização dos ciclos haja “ampliação do conhecimento das comunidades indígenas sobre o direito à educação diferenciada; fortalecimento da participação comunitária na construção e no acompanhamento das escolas indígenas; identificação de desafios e demandas locais relacionadas à educação escolar indígena e contribuição para a efetivação de políticas públicas de educação escolar indígena nos territórios.” Por fim, importante ressaltar que o Projeto alinha-se, ao PDI/PPI e à Missão da UFRN quando indica as diretrizes para inclusão social e o papel do ensino, da pesquisa e da extensão para a expansão dos avanços tecnológicos do interior do estado do RN.
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