Projeto de extensão, UFRN
Homens e Pré-Natal: Promovendo o envolvimento dos homens no âmbito dos cuidados infantis a partir da Atenção Primária à Saúde
Descrição
Este projeto de extensão resulta de uma série de iniciativas de caráter acadêmico e político sobre a relação homens, masculinidades e saúde, que vem sendo desenvolvidas, desde o ano de 2023, no âmbito do Laboratório Interdisciplinar de Práticas, Pesquisas e Intervenções em Saúde e Coletividades (LIPS), sob coordenação do professor Dr. Túlio Romério Lopes Quirino, vinculado ao Curso de Graduação em Psicologia da Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi (FACISA), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Concedendo especial atenção à necessidade de maior envolvimento dos homens na esfera dos cuidados infantis, por meio do incentivo ao exercício da paternidade, tais atividades tem buscado sistematicamente promover o reconhecimento de que a presença masculina neste contexto adere melhores resultados à sua saúde, assim como a das mulheres e das crianças. De maneira mais objetiva, a proposta aqui apresentada, desdobra-se do projeto de extensão intitulado “Masculinidades e Cuidado Pré-Natal: promovendo a participação dos homens no âmbito dos cuidados infantis a partir da Atenção Primária à Saúde” desenvolvido ao longo do ano de 2025, sob coordenação do mesmo docente proponente. Sua proposição, no entanto, não constitui apenas uma continuidade deste projeto, mas reitera a assunção de um compromisso acadêmico e político com o desenvolvimento deste campo temático e de produção da saúde, com vistas à proposição de formas de intervenção que possibilitem positivar as relações de cuidado demonstradas pelos homens, especialmente diante de um campo sociopolítico marcado historicamente por discursividades que (re)afirmam uma suposta aversão e afastamento da população masculina do espaços de cuidado. Dessa forma, este projeto parte da necessidade de se problematizar a (des)construção cotidiana de lugares sociais para os homens no contexto da saúde reprodutiva, por meio dos quais se reiteram as masculinidades em posições hegemônicas marcadas por processos de apagamento e invisibilidade no âmbito do ciclo gestacional e dos cuidados infantis. Pretende, portanto, tensionar a manutenção de dicotomias que tem caracterizado o envolvimento dos homens no contexto da reprodução, especialmente no âmbito dos serviços de saúde, onde sua participação é caracterizada pela ausência/presença e interrogações acerca do seu pertencimento/não pertencimento a este lugar. Partimos do pressuposto de que estimular e fortalecer a presença dos homens no contexto dos direitos reprodutivos adere resultados importantes à saúde das mulheres e das crianças, sendo esta uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) com vistas a promover a humanização da gestação, do parto e do nascimento. Além disso, o envolvimento dos homens/pais com os cuidados infantis, desde os primeiros momentos, pode contribuir significativamente para que a experiência da paternidade (e da maternidade) seja(m) vivida(s) de maneira compartilhada e prazerosa, gerando muita aprendizagem e bem estar para os/as envolvidos/as. Apesar da existência de um dispositivo político no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, voltado à promoção da saúde da população masculina, como é o caso da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) ainda se observam fragilidades na garantia de espaços e na oferta de cuidados integrais à saúde deste público específico, o que demonstra a necessidade de se fortalecer e construir redes de suporte e apoio social que possibilitem promover diálogos sobre as masculinidades e a produção de saúde junto aos homens. Este movimento também tem o potencial de favorecer o envolvimento destes no contexto da saúde reprodutiva, incentivando o exercício da paternidade, a construção de práticas de cuidado e a promoção da equidade de gênero. Com vistas a fortalecer a PNAISH, a Coordenação Nacional de Saúde do Homem, do Ministério da Saúde, definiu o “Pré-natal do Parceiro” como estratégia de intervenção em saúde do homem, a qual está baseada na ideia de que a paternidade deve ser a “porta de entrada” para os homens na saúde, por meio da sua presença nos momentos anteriores e posteriores ao parto (pré-natal, pré-parto, parto e pós-parto). Com esta presença espera-se que estes homens passem a desenvolver vínculos saudáveis com as pessoas ao seu redor (sua parceira e sua criança). Considerando o exposto, este projeto de extensão, de natureza interprofissional e amparado nas ferramentas da saúde coletiva, certamente contribuirá para a produção de práticas e saberes em saúde, que auxiliarão na implantação de ações capazes de gerar melhorias na produção da saúde dos homens, das mulheres e das crianças, no âmbito do SUS. Partimos do pressuposto de que conhecer e atuar sobre os saberes e práticas desenvolvidas por homens (e mulheres), nos espaços destinados aos cuidados em saúde reprodutiva no âmbito da Atenção Primária à Saúde de Santa Cruz/RN, bem como de profissionais que neles atuam, pode colaborar no planejamento de estratégias coletivas de atenção à saúde, contribuindo para o desenvolvimento e efetivação de políticas públicas em nível local, bem como ampliar as discussões sobre esta temática. Da mesma forma, entendemos que a aproximação dos homens do âmbito dos cuidados infantis, inserindo-os desde o acompanhamento pré-natal, pode ser tomada como uma possibilidade de intervir nos seus modos de vida, para que ele aprenda e passe a cuidar de si mesmo e dos outros à sua volta. E, dessa forma, desenvolver iniciativas que possibilitem ampliar o envolvimento dos homens no campo da saúde reprodutiva e fortalecer políticas públicas de saúde capazes de construir relações de gênero mais equitativas, como é o caso deste projeto, faz-se importante dado o seu potencial fomentador de novas formas de se pensar as masculinidades, bem como para transformar as atitudes, comportamentos e práticas dos homens em situações sociais que envolvem o cuidado. Ainda, dada a centralidade da Estratégia Pré-Natal do Parceiro (EPNP) para promover a maior aproximação dos homens da APS, entendemos que ao apostar em ações que possibilitem colaborar para a sua disseminação junto à população, por meio da implementação deste projeto, também poderemos contribuir para o alcance das metas locais de saúde definidas pela gestão municipal. O projeto será desenvolvido na rede municipal de saúde de Santa Cruz/RN, mais especificamente nos serviços que compõem a Atenção Primária à Saúde (APS), tendo como público-alvo usuários/as, homens e mulheres, que os frequentam cotidianamente em busca da assistência à saúde, especialmente no que tange às ações de promoção da saúde sexual e saúde reprodutiva, a exemplo da assistência pré-natal, do planejamento familiar e das consultas de crescimento e desenvolvimento. Também serão contemplados/as os/as profissionais que compõem as equipes da Estratégia Saúde da Família e eMulti do município, tendo em vista a importância do seu envolvimento para a sustentabilidade e continuidade das ações. Além disso, a Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi (FACISA/UFRN) será um cenário importante para o desenvolvimento do projeto, haja vista que se espera envolver estudantes dos seus diferentes cursos de graduação em saúde em atividades de formação, produção de conhecimentos, planejamento de intervenções, produção de materiais e execução de ações educativas que possibilitem a disseminação de informações sobre a temática do projeto também junto à comunidade acadêmica. O projeto tem como objetivo incentivar o envolvimento e a presença dos homens no ciclo pré-natal, parto e puerpério, no âmbito dos serviços de APS de Santa Cruz/RN, com vistas a fortalecer o exercício da paternidade e a implicação masculina nos cuidados infantis. Neste sentido, procurará inserir homens e mulheres em discussões sobre temas como saúde, paternidade, cuidado, sexualidade e reprodução, dentre outros. Para tanto estão previstas estratégias metodológicas diversas e complementares, relacionadas a três vetores principais: 1) Diálogos para fortalecer o envolvimento e a presença dos homens nos espaços destinados à saúde reprodutiva; 2) Educação em saúde e formação de multiplicadores para estimular o exercício da paternidade; e 3) Mobilização social para disseminar a importância da participação masculina no âmbito dos cuidados infantis. Dentre as atividades, pode-se citar: rodas de conversas e outras atividades coletivas, conversas no cotidiano dos serviços, salas de espera, elaboração e distribuição de materiais informativos, oficinas de formação e ações de mobilização social (a exemplo de campanhas). Com isto, espera-se produzir resultados em diferentes planos, envolvendo a formação crítica e reflexiva de estudantes de graduação, a produção de conhecimentos e a disseminação de informações sobre a temática em âmbito local, de modo a contribuir para o fortalecimento político das ações em gênero voltadas aos homens (e às mulheres, em uma perspectiva relacional), instrumentalizando este campo com saberes e práticas importantes para a implementação desta pauta em espaços de decisão e operação de políticas públicas. Ao fazer isso, buscar-se-á, ainda, reafirmar o compromisso da FACISA/UFRN com o desenvolvimento do território local, favorecendo o seu fortalecimento enquanto instituição de referência na região e consciente da importância do seu papel social.
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