Projeto de extensão, UFRN
Saúde Mental no Campo: Educação Popular e Organização Coletiva em territórios do MST
Descrição
O projeto tem como objetivo a promoção e o cuidado coletivo em saúde mental em territórios do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a partir do reconhecimento das profundas desigualdades históricas da estrutura fundiária brasileira. Essas desigualdades produzem exclusão social e comprometem as condições de vida e saúde das populações do campo, das florestas e das águas, agravadas pela precariedade do acesso a direitos básicos e pela hegemonia do agronegócio, que intensifica a exposição aos agrotóxicos, a precarização do trabalho e os sofrimentos físicos e psíquicos. No campo da saúde mental, destaca-se a relação intrínseca entre território, modelo produtivo e adoecimento, evidenciando o aumento de transtornos mentais comuns, do uso abusivo de álcool e outras drogas e da cronicidade do sofrimento psíquico, agravados pela ausência ou fragilidade dos serviços públicos de saúde mental nos territórios rurais. Diante desse cenário, defende-se a superação de práticas individualizadas e fragmentadas, propondo ações coletivas, territoriais e participativas. O MST é protagonista na construção de um conceito ampliado de saúde, articulado à luta pela Reforma Agrária Popular, à agroecologia, à soberania alimentar e à organização coletiva. A criação da Rede de Saúde Mental do MST, especialmente a partir da pandemia de Covid-19, reforça a importância de estratégias permanentes de cuidado psicossocial baseadas em práticas comunitárias e na resistência às múltiplas formas de opressão. O projeto dialoga com a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta (PNSIPCF), com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e com os documentos institucionais da UFRN e da FACISA, alinhando-se à missão da universidade de fortalecer a interiorização do ensino superior, a extensão universitária e a formação cidadã dos estudantes. Metodologicamente, o projeto se ancora na Investigação-Ação-Participativa (IAP), inspirada em Orlando Fals Borda e no materialismo histórico-dialético, valorizando a práxis, o diálogo entre saberes populares e acadêmicos e o protagonismo das comunidades. As ações previstas incluem diagnóstico participativo, mutirões de saúde mental, oficinas de Educação Popular em Saúde, produção coletiva de materiais educativos e avaliação participativa, visando fortalecer coletivos comunitários, promover a saúde mental e contribuir para a formação crítica de estudantes extensionistas, com impacto social relevante e territorialmente situado.
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