Projeto de extensão, UFS
Peixe-leão: alerta ao invasor em nosso litoral
Descrição
A invasão do peixe-leão (Pterois volitans) no Atlântico Ocidental constitui uma das mais graves bioinvasões marinhas do Antropoceno. Originário do Indo-Pacífico, provavelmente foi introduzido por meio do comércio de aquariofilia na Flórida, na década de 1980. Favorecido pela dispersão larval, realizada pelas correntes oceânicas, espalhou-se rapidamente pelo Caribe, Golfo do México e Atlântico Sul, ultrapassando barreiras biogeográficas consideradas históricas. Seu êxito invasor está relacionado a características como elevada fecundidade, maturidade sexual precoce, crescimento populacional rápido, ampla plasticidade alimentar e eficiente técnica de predação por sucção. As fêmeas podem liberar mais de dois milhões de ovos anualmente, enquanto os espinhos peçonhentos oferecem proteção contra predadores nativos, reduzindo significativamente a mortalidade da espécie. No Caribe, os impactos ecológicos são expressivos. A presença do peixe-leão pode reduzir drasticamente o recrutamento de peixes recifais, devido principalmente à predação de juvenis. Sua dieta inclui dezenas de espécies, entre elas garoupas, pargos e peixes herbívoros, importantes para a manutenção dos recifes. A redução de herbívoros, como os peixes-papagaio, favorece o crescimento excessivo de macroalgas, que competem com os corais por espaço e luz. Além dos efeitos ecológicos, a invasão prejudica a pesca artesanal, ameaça estoques comerciais e pode comprometer o turismo de mergulho. No Brasil, a espécie chegou a desafiar a ideia de que a pluma de água doce e sedimentos do Rio Amazonas impediria sua dispersão entre o Caribe e a costa brasileira. Após um registro isolado em Arraial do Cabo, em 2014, novos indivíduos foram encontrados no Amapá, em 2020, expandindo-se posteriormente por estados do Norte e Nordeste até a Bahia. O peixe-leão também ocupou estuários e manguezais, ambientes essenciais como berçários e áreas de alimentação de espécies nativas. Em Fernando de Noronha, já foram observadas reduções na abundância e riqueza de pequenos peixes, além do consumo de espécies endêmicas e ameaçadas. O registro no estuário do rio Vaza-Barris, em Sergipe, reforça a expansão contínua da invasão. Diante disso, a presente proposta visa atuar com ações educativas voltadas aos atores locais do litoral sergipano, destacando os impactos da invasão do peixe-leão por meio de exposições, além de transformar a população em sentinelas ambientais por meio da informação dos registros do peixe-leão aos pesquisadores.
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