Projeto de extensão, UFS
PI em Foco: Popularizando a Propriedade Intelectual via Podcast
Descrição
A Propriedade Intelectual (PI) tem assumido papel estratégico para o avanço da inovação, da competitividade e do desenvolvimento econômico, sendo reconhecida internacionalmente como elemento central para a formação de sociedades criativas e tecnológicas. Estudos recentes demonstram a expansão das iniciativas de educação em PI em diversos países, evidenciando sua relação direta com o estímulo à criatividade, com o fortalecimento da ética digital e com a consolidação de uma cultura de inovação desde as etapas iniciais da escolarização. No Brasil, o Programa PI nas Escolas, criado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), representa uma ação pioneira para aproximar o tema da realidade das escolas públicas brasileiras, especialmente no ensino médio. Surgindo como uma resposta à crescente necessidade de ampliar o conhecimento da população sobre direitos autorais, patentes, marcas, indicações geográficas e outras formas de proteção à criação humana, o programa visa estabelecer um vínculo entre a escola e o universo da inovação, do conhecimento e do respeito à criação intelectual (INPI, 2023). De acordo com o INPI (2023), o projeto foi estruturado com base em uma proposta político-pedagógica que considera as especificidades da educação brasileira, propondo ações que respeitam a pluralidade cultural, a diversidade territorial e a transversalidade do ensino. A atuação do Programa PI nas Escolas baseia-se em uma abordagem transversal e interdisciplinar, dialogando com diferentes áreas do conhecimento. Essa proposta considera a diversidade dos sistemas educacionais brasileiros e busca adequar seus modelos pedagógicos às realidades locais da Educação Básica e do Ensino Superior. Para apoiar essa integração, o Programa organiza suas ações em cinco eixos temáticos: Criatividade, Cidadania, Tecnologia, Planeta e Negócios, que orientam a aplicação da propriedade intelectual no cotidiano escolar. Esses eixos permitem que o tema seja trabalhado de forma contextualizada, relacionando-o a situações reais, as experiências dos estudantes e aos desafios atuais. A inserção da PI na educação básica, especialmente no ensino médio, ainda é um desafio em construção para o Brasil. Historicamente, os conteúdos de PI estavam restritos ao ensino superior, especialmente em cursos de Direito, Engenharia e Administração. No entanto, o avanço das discussões sobre inovação, empreendedorismo e cidadania tem impulsionado a necessidade de introduzir esses temas desde os primeiros anos de escolarização (INPI, 2022; 2023). Entre as principais entregas do Programa está a oferta de materiais didático-pedagógicos voltados ao apoio de professores e gestores, denominados de Pílulas de PI. Esses materiais são selecionados e revisados com a finalidade de facilitar a inserção da PI nas práticas pedagógicas, respeitando as particularidades dos diferentes níveis e modalidades de ensino. Do ponto de vista educacional, as Pílulas de PI cumprem um papel importante ao traduzir conceitos frequentemente associados ao campo técnico para uma linguagem acessível e aplicável ao contexto escolar (INPI, 2024). A partir da década de 1990, os institutos nacionais de Propriedade Intelectual intensificaram suas iniciativas educativas, criando programas voltados à ampliação do conhecimento sobre PI como ferramenta estratégica para o estímulo à inovação. Esses programas buscaram formar profissionais qualificados para atuar de forma integrada às diretrizes das políticas públicas de inovação tecnológica e desenvolvimento industrial, fortalecendo a relação entre conhecimento, produção científica e competitividade econômica (MENDES; AMORIM-BORHER, 2012). Assim, estudantes expostos a conteúdos estruturados sobre PI apresentam maior capacidade de reconhecer diferentes tipos de direitos, compreender suas finalidades e aplicá-los de maneira consciente no uso cotidiano de tecnologias e em práticas de criação. O estudo de Lunyachek e Ruban (2019) chama atenção para os desafios relacionados à proteção da PI na atuação docente, como: níveis reduzidos de compreensão, por parte dos professores, acerca das práticas adequadas de uso, registro e proteção das produções intelectuais desenvolvidas no contexto escolar, além de apontarem a carência de programas de formação continuada. Os resultados do estudo reforçam que a consolidação de uma cultura de PI no ambiente educacional está diretamente relacionada à capacitação docente, a qual influencia de maneira significativa a qualidade e a efetividade das ações educativas oferecidas aos estudantes. A relevância social e acadêmica deste projeto de extensão reside, portanto, em contribuir para a disseminação dos conceitos e práticas de PI já adotados e como estes podem servir de estímulo para novas práticas pedagógicas tanto no ensino básico como superior, consolidando uma sociedade mais consciente de seu potencial.
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