Projeto de extensão, UFS
Cuidado nutricional em salas de espera de ambulatórios do Hospital Universitário
Descrição
O processo saúde-doença é complexo e dinâmico. A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu, ainda, no final da década de 40, em 1948, a saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença. O conceito de saúde da OMS parte de uma construção social e histórica, que supera a concepção biomédica de saúde como ausência de doença. A promoção da saúde tem sido considerada uma importante estratégia para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Essa estratégia propõe a confluência dos conhecimentos técnicos e populares. O conceito moderno de promoção da saúde se desenvolveu nos últimos 30-35 anos, em torno do processo de saúde-doença-cuidado. Relativo ao processo de cuidado à saúde, são diversas as dimensões implicadas, podendo envolver os conceitos e/ou estratégias relativos ao letramento nutricional, à autopercepção da saúde e autocuidado. Os usuários de saúde, que enquanto esperam, pacientes, na sala de espera para consulta de saúde, se abrem para as ações de Educação Alimentar e Nutricional, participam, inicialmente para passar o tempo, por curiosidade, e então vão se abrindo à possibilidade de aprender e trocar saberes, expectativas, angústias, experiências e até receitas. O tempo-espaço da sala de espera é, portanto, um campo fértil para a promoção e cuidado a saúde. Letramento em nutrição e alimentação diz respeito ao conjunto de conhecimentos e habilidades que permite ao indivíduo comer bem, viver bem e ter boa saúde e assim, ter a condição de desenvolver a sua autonomia em realizar escolhas e comportamentos adequados ao seu processo de saúde-doença. Um dos caminhos que incitam o paciente em assumir o protagonismo no seu processo saúde-doença é a autopercepção da saúde e por conseguinte, o autocuidado. A autopercepção da saúde (APS) é um determinante, frequentemente, utilizado na Atenção Básica à Saúde. É um preditor de mortalidade na população, a ainda um indicador de qualidade de vida, de morbidade e de diminuição da capacidade funcional. A APS se baseia em critérios objetivos e subjetivos, integra aspectos biológicos, cognitivos, emocionais e sociais. É essencial entender como a pessoa percebe sua saúde, pois seu comportamento de autocuidado e sua adesão ao tratamento depende dessa percepção e da importância que se dá a ela. Sobretudo em doenças de curso crônico é necessário que o paciente seja protagonista do seu processo de saúde-doença. E estes, os doentes crónicos, muitas vezes não se percebem doentes, quando assintomáticos ou ainda, por não apresentarem uma incapacidade. O uso continuado de medicação anticoagulante se torna necessária em pacientes com doenças cardiovasculares que cursem com a fibrilação atrial e seus consequentes riscos de desenvolvimento de doenças trombóticas e eventos tromboembólicos, como o acidente vascular encefálico e embolia pulmonar, que devem ser prevenidos e controlados. Tais pacientes necessitam de seguimento contínuo com vistas ao manejo e ajustes constantes da dose terapêutica do medicamento. A meta terapêutica da anticoagulação oral é indicada pela Razão Normalizada Internacional e pelo Tempo na Faixa Terapêutica. Quanto às doenças reumáticas sistêmicas, entre elas: o Lúpus Eritematoso Sistêmico, a Fibromialgia e a Artrite Reumatóide, tem curso crônico e se associam com a inflamação e as dores articulares, que impactam profundamente a rotina e a qualidade de vida dos indivíduos afetados. São marcantes as evidências de que a disbiose intestinal pode ser um potente precipitador das crises inflamatórias e álgicas. Assim, as ações de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) podem auxiliar na promoção de hábitos alimentares saudáveis e por conseguinte, saúde intestinal e modulação da microbiota, sendo de grande valia para o auxílio no controle dos sintomas e promoção de melhor qualidade de vida. As ações de campo serão desenvolvidas nos ambulatórios de reumatologia e cardiologia, do Hospital Universitário de Sergipe (HU/UFS), utilizando a sala de espera como espaço para a realização das ações de EAN. A proposta surgiu a partir da observação do tempo ocioso dos pacientes enquanto aguardam atendimento, buscando transformar esse tempo em uma oportunidade de troca de informações, construção de conhecimento e incentivo ao autocuidado em saúde.
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