Projeto de extensão, UFS
Observatório de violências, pela Vida de mulheres de comunidades tradicionais de Sergipe (OPOPVida/UFS) Eixo central 2026: Acompanhamento dos planos de intervenção territoriais planejados e executados pelas escutadeiras, defensoraspopulares do corpo-território que foram formadas em 2025
Descrição
No ano de 2026, o Observatório Popular de violências, pela Vida de mulheres de comunidades tradicionais de Sergipe (OPOPVida/UFS) completará 7 anos de nascimento. Tem funcionado como um espaço tempo com e entre mulheres do Movimento de Marisqueiras de Sergipe (MMS) e de outros movimentos sociais, entre mulheres de comunidades tradicionais e mulheres na academia – pesquisadoras e estudantes universitárias de graduação e pós-graduação de diferentes áreas de saberes científicos. Seu objetivo é gerar dados e conhecimentos colaborativos e tecnologias de cuidado e resistência entre mulheres que são guardiãs dos saberes, memórias e dos comuns em seus territórios. Juntas temos experimentado um feminismo que não separa a luta das mulheres da luta ambiental, um feminismo transversalizante que abre rodas de conversação(Ribas, 2019) entre diferentes territórios e terrestres, entre universidade e comunidades; um feminismo que defende a moradia, as biorregiões, os territórios de vida, os direitos humanos, das mulheres, os direitos da terra e das águas, dos mais que humanos. (Des)aprendemos um feminismo popular, competência (trans)formativa e transversal, constituído por saberes concretos, tradicionais, ancestrais, recuperados, retomados, refeitos, atualizados, acessíveis e corporalizados, insurgidos de nossos corpos e modos de vida em afetação. Entre nós, escambiamos saberes de resistência. Entre nós, constituímos espaços seguros de troca, espaços para nos experimentarmos, para pesquisar a si e nos colocar na linha de reinvenção (Ribas,2019). Nesse sentido, o foco do OPOPVida no ano de 2025 centrou-se no curso de escutadeiras, defensoras populares do corpo-território, planejado e implementado em parceria com mulheres lideranças de comunidades tradicionais, tendo-se como público-alvo mulheres de comunidades tradicionais, alunas da UFS de comunidades tradicionais, mulheres do Movimento das Marisqueiras de Sergipe, mulheres lideranças de movimentos sociais articulados por meio do Observatório Popular de violências, pela Vida de mulheres de comunidades tradicionais de Sergipe (OPOPVida) – MST, Movimentos das Camponesas, Pescadoras Artesanais, Mulheres Indígenas e quilombolas. Tomando a experiência das Promotoras Legais Populares/Themis –Justiça de Gênero e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul e também da experiência acumulada pela Educação Popular em Saúde e Política Nacional de Humanização como inspiração, o curso, de abordagem teórico-metodológica e político-clínica interdisciplinar, situou-se na indissociabilidade entre cuidado entre mulheres e defesa de seus territórios vivos,entre luta socioambiental e reinvenção de si, oferecendo aportes de base jurídica e também de cuidado em saúde mental. Diante de um capitalismo extrativista em aceleração desenvolvimentista neoliberal, que violenta e expropria reiteradamente os territórios de vida e os corpos de mulheres (especialmente indígenas, negras e periféricas), diante da queda “contemporânea” do seu céu (crime de derramamento do petróleo no litoral brasileiro, especialmente o nordestino em novembro de2019, crise político-sanitária da pandemia COVID-19 em2020, das secas, das queimadas, das quedas de barragens, dos garimpos nas florestas, das cercas nas águas para a pesca industrial seguir livre a matar a vidados oceanos, das enchentes, do agronegócio, da especulação imobiliária, da carcinicultura etc.), posicionando-se contra o cercamento de nossos corpos e modos de vida, ocurso propôs-se - no espaço-tempo da relação entre conhecimentos populares e acadêmicos, com aportes dos movimentos sociais e de áreas como educação, direito, geografia, psicologia social, saúde coletiva, direitos humanos, estudos feministas - a contribuir para que mulheres dos territórios sergipanos, que sempre foram lideranças no cuidado e na defesa dos comuns (Federici,2023), pudessem experimentar modos de organização-cuidado com mulheres em seus territórios, compor redes vivas de cuidado/resistência; ensejar um cuidado-pertencimento no tempo do encontro com e entre mulheres, em defesa dos seus corpos e territórios de vida em germinação. Assim, no ano de 2026 o foco do Observatório é acompanhar os projetos de intervenção territorializados para fortalecimento de mulheres planejados pelas escutadeiras formadas.
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