Projeto de pesquisa, UFRRJ
Macrofauna associada a esponjas calcareas exóticas (Porifera, Calcarea) no Estado do Rio de Janeiro
Descrição
O filo Porifera agrupa os animais popularmente conhecidos como esponjas. Estas são organismos aquáticos, sésseis e filtradores (em sua maioria) que estão presentes em todos os ambientes marinhos e dulciaquícolas do planeta. Elas são os animais mais antigos ainda vivos e participam uma enorme gama de serviços ecossistêmicos essenciais para a manutenção da teia trófica marinha e da biodiversidade local. Apesar disso, o conhecimento sobre a diversidade, distribuição, interações ecológicas e aspectos gerais da biologia e história de vida das espécies deste filo é considerado altamente subestimado. Isso é atribuído, entre outras coisas, ao baixo número de especialistas no grupo ao redor do mundo. O filo Porifera possui atualmente cerca de 9830 espécies descritas, divididas em quatro classes viventes (Demospongiae, Hexactinellida, Homoscleromorpha e Calcarea). A classe Calcarea é a única a apresentar os componentes do seu esqueleto interno, as espículas, feitas de carbonato de cálcio. Elas também costumam ser pequenas e frágeis e potencialmente alvo das consequências relacionadas às atividades humanas atuais, como aquecimento e acidificação dos oceanos e a bioinvasão, colocando em risco o conhecimento da diversidade e biologia desses organismos em várias partes do mundo. Apesar de pouco estudadas globalmente, a diversidade de esponjas calcareas no Brasil e, especialmente no Estado do Rio de Janeiro, é bem conhecida. Das 84 espécies de esponjas calcareas já reportadas para o Brasil, 26 (31%), ocorrem no Estado do Rio de Janeiro. Destas 26 espécies, três são consideradas exóticas na costa do Brasil. Cidades como Angra dos Reis, na Baía da Ilha Grande, bem como Cabo Frio e Arraial do Cabo, na Região dos Lagos se destacam como locais de grande diversidade e abundância de esponjas calcareas no Estado. Dentre as diversas interações ecológicas que as esponjas podem estabelecer, está o fato que de podem servir de abrigo para diversos outros organismos marinhos (sejam vertebrados, invertebrados e microorganismos). Devido à essa interação, esponjas são comumente chamadas de “hotéis-vivos”, sendo consideradas “reservatórios de biodiversidade”, uma vez que conseguem abrigar uma grande diversidade de organismos associados. Atualmente, um dos principais riscos à biodiversidade marinha é a introdução de espécies exóticas em locais fora da sua distribuição natural, podendo causar danos diretos ou indiretos nos ambientes em que se estabelecem. Portanto, esponjas podem abrigar espécies invasoras de invertebrados, por exemplo, que acabam sendo de difícil detecção exatamente por viverem associadas às esponjas. Outra preocupação relevante é referente aos organismos abrigados por espécies exóticas, uma vez que elas podem ser vetores indiretos de novas invasões. Dessa forma, o objetivo do presente projeto é estudar a macrofauna associada às espécies exóticas de esponjas calcareas presentes no Estado do Rio de Janeiro. A partir da identificação dos grupos associados, faremos a comparação entre as espécies e com os dados disponíveis referente as outras espécies calcareas que ocorrem no Brasil e no mundo. Para isso, bimensalmente ao longo de um ano, cerca de 10 indivíduos pertencentes às três espécies exóticas de esponjas calcareas foram coletados em duas localidades (Angra dos Reis e Arraial do Cabo). Os espécimes serão dissecados sob estereomicroscópio e os macroorganismos associados serão identificados ao menor nível taxonômico possível. Análises estatísticas serão realizadas a fim de comparar a diversidade da macrofauna ao longo do ano, bem como entre diferentes espécies e localidades. Uma vez que as coletas já aconteceram, a viabilidade executiva, o desenvolvimento e financiamento do presente projeto não apresentam riscos. Ao final do projeto, espera-se ter iniciado e contribuído para a formação de alunos de iniciação científica, introduzindo-os aos principais aspectos da biologia e ecologia de esponjas, bem como gerar trabalhos de conclusão de curso (TCC) e publicar os resultados em forma de artigo científico em revista internacional indexada.
Candidatar-se
Entre na sua conta para enviar uma carta de intenção à coordenação deste projeto.