Projeto de extensão, UNB
Palavras que ferem: combate à desinformação e à violência nas relações afetivas universitárias
Descrição
A violência no namoro, também conhecida como dating violence ou violência afetiva, é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um conjunto de comportamentos que ocorrem em relações íntimas e causam danos físicos, sexuais ou psicológicos — incluindo agressões físicas, coerção sexual, abuso emocional e atitudes de controle (OMS, 2002). A violência nas relações de intimidade (VRI) pode iniciar-se na adolescência e perdurar ao longo da vida adulta, muitas vezes manifestando-se no contexto de namoro, coabitação ou casamento. Embora majoritariamente perpetrada por homens contra mulheres, essa violência também pode ocorrer em outras configurações de gênero, inclusive em relações entre pessoas do mesmo sexo, sendo reconhecida como um fenômeno de dimensões pandêmicas, que atravessa culturas, classes sociais, etnias e níveis de escolaridade, com raízes históricas e culturais profundas (Bittar e Nakano, 2017). Esse cenário está fortemente imbricado com a ideologia machista, que sustenta desigualdades de gênero e legitima a dominação masculina como forma de violência simbólica. Nesse contexto, torna-se imprescindível incluir jovens adultos em ações de planejamento e intervenção voltadas à prevenção da violência no namoro, como forma de provocar transformações estruturais nas relações de gênero e afetividade. Este projeto tem como objetivo central investigar de que maneira a desinformação contribui para a perpetuação de práticas abusivas em relacionamentos afetivos entre jovens universitários. A investigação será realizada por meio da análise de dados linguísticos obtidos em questionários aplicados a estudantes do ensino superior. Busca-se compreender como os jovens significam suas relações amorosas e identificar crenças, concepções e discursos que naturalizam formas sutis de violência como a psicológica, emocional, verbal e simbólica, a fim de subsidiar estratégias educativas de enfrentamento. A relevância da pesquisa reside na sua capacidade de contribuir para a desconstrução de discursos legitimadores da violência e promover a formação crítica de jovens em espaços acadêmicos. A proposta articula-se ao projeto de extensão “Meu corpo eu cuido”, da Universidade de Brasília (UnB), que prevê a utilização dos resultados em ações educativas, tais como oficinas, palestras, cursos e produção de materiais didáticos impressos e digitais. Trata-se de uma iniciativa interdisciplinar, envolvendo linguística, biologia e educação, com foco na prevenção, sensibilização e promoção de relações afetivas mais éticas, saudáveis e equitativas. Embora programas de prevenção à violência sexual já tenham sido amplamente investigados no contexto universitário, a violência no namoro ainda carece de estudos mais aprofundados, especialmente no Brasil. Este projeto visa, portanto, contribuir para esse campo, ampliando o entendimento e a visibilidade do fenômeno, bem como fortalecendo práticas de enfrentamento e transformação social. Ainda que a eficácia dos programas de prevenção à violência sexual tenha sido abordada com relativa frequência no contexto universitário, a violência no namoro permanece subexplorada nas pesquisas.
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