Projeto de extensão, UNB
Escola sem fake: oficinas de leitura, produção textual e análise linguística no enfrentamento à desinformação
Descrição
O século XXI tem sido marcado pelos efeitos deletérios da proliferação de textos de desinformação, impulsionados descontroladamente nas e pelas redes sociais (Bentes; Souza-Santos, 2023). No enfrentamento a essa epidemia, a escola tem papel fundamental: estimular no estudante a atitude crítica em relação ao conteúdo e à multiplicidade de discursos que circulam nos meios digitais (Brasil, 2018). Para tanto, é preciso que se proponham ações que desenvolvam nos estudantes a capacidade de investigar a veracidade das informações e de produzir textos que desconstruam informações falsas (Kleiman; Santos-Marques, 2020). É neste contexto que propomos o presente projeto para o Edital Licenciaturas em Movimento 2026-2027 (LeM). O objetivo geral é capacitar estudantes de uma escola pública de ensino fundamental ou médio de Distrito Federal a identificar e desconstruir textos de desinformação, popularmente chamado de fake news, por meio de oficinas de leitura, produção de textos e análise linguística. Como referencial teórico, adotamos a Pedagogia Crítica e a Linguística Cognitiva – LC. A escolha desse arcabouço teórico se justifica por se alinhar à perspectiva enunciativo-discursiva de linguagem, que assume a centralidade do texto como unidade de análise, aos moldes da proposta da BNCC (BRASIL, 2018) para o ensino de Língua Portuguesa - LP, contribuindo para o debate sobre desinformação em seus contextos de produção. Tal prática implica a formação de estudantes-sujeitos letrados, capazes de analisar textos em dimensões linguístico-enunciativas, situacionais, interacionais, culturais, intertextuais e discursivas. Como objetivos específicos, pretende-se: 1) estimular o desenvolvimento do senso crítico e da capacidade de argumentação dos discentes da UnB e os da escola pública em relação às informações; 2) contribuir para a utilização ética e cidadã de redes sociais e da mídia, fomentando a prática de checagem de informações e a valorização de fontes confiáveis; 3) promover formação crítica dos estudantes para serem agentes no enfrentamento à desinformação em ambientes não escolares; 4) motivar outras ações que visem enfrentar a desinformação nas escolas brasileiras; 5) contribuir para a formação profissional e cidadã dos discentes da UnB participantes do projeto, incentivando-os a permanecer na licenciatura de Letras-Língua Portuguesa e Respectiva Literatura (LP)/Português do Brasil como Segunda Língua (PBSL); 6) propiciar a articulação entre o curso de licenciatura em LP/PBSL da UnB e a escola selecionada para o projeto; e 7) estimular o desenvolvimento e uso de metodologias de ensino que destaquem a importância do texto no exercício da docência de Língua Portuguesa. A metodologia, qualitativa, se desenvolve em três etapas: 1) conhecimento da escola e dos estudantes, por meio de entrevistas narrativas; 2) levantamento de textos de desinformação, com base na pesquisa documental; e 3) oferecimento aos estudantes de oficinas de formação de enfrentamento à desinformação, com atividades de leitura, produção textual e análise linguística. Com este projeto, esperamos os seguintes resultados e impactos: 1) publicação dos dados gerados em artigos, capítulos de livro, podcasts e outras mídias; 2) produção de material didático que aplique conceitos da LC na análise da desinformação e que ofereça encaminhamentos metodológicos para o trabalho nas aulas de LP na educação básica; e 3) contribuições para o fortalecimento de políticas públicas de ensino para o enfrentamento à desinformação.
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