Projeto de extensão, UNB
Burle Marx no eixo
Descrição
A trajetória de Roberto Burle Marx em Brasília constitui um capítulo singular da história da arquitetura da paisagem brasileira. Desde a construção da nova capital, o paisagista participou de diferentes projetos em diálogo com arquitetos como Oscar Niemeyer e com a concepção urbanística de Lúcio Costa, contribuindo para a consolidação da identidade paisagística da cidade. Embora sua produção em Brasília seja numericamente mais restrita quando comparada a outras capitais brasileiras, seus jardins representam importantes experimentações sobre a relação entre arquitetura, vegetação, arte e espaço público, incorporando a singularidade do Cerrado e a monumentalidade do Planalto Central. Em seus projetos para Brasília, Burle Marx explorou a força escultórica das espécies nativas e adaptadas ao bioma, utilizando massas vegetais, texturas, cores e diferentes estratos de vegetação para estabelecer uma continuidade entre o edifício, o espaço livre e a paisagem natural. A água, elemento recorrente em sua obra, também aparece como componente estruturador da experiência sensorial e ambiental, contribuindo para a qualificação dos espaços e para a valorização das condições climáticas locais. Seus jardins demonstram uma compreensão refinada das especificidades ecológicas do território e revelam uma abordagem que hoje dialoga diretamente com os princípios da infraestrutura verde, das soluções baseadas na natureza e da adaptação às mudanças climáticas. Apesar de sua relevância, a obra de Burle Marx em Brasília permanece relativamente pouco estudada e difundida, sobretudo quando comparada ao reconhecimento internacional de sua produção no Rio de Janeiro, em São Paulo e em outras cidades brasileiras e estrangeiras. Muitos de seus projetos são conhecidos apenas por especialistas, o que evidencia a necessidade de ampliar sua divulgação, incentivar novas pesquisas e promover ações educativas que aproximem a sociedade desse patrimônio paisagístico. É justamente nesse contexto que se insere o projeto de extensão Burle Marx no Eixo, visa apreender com Burle Marx: diferentes perspectivas sobre Brasília, que propõe um percurso de descoberta da capital a partir do olhar do paisagista. Por meio de oficinas, visitas técnicas, caminhadas interpretativas e rodas de conversa, a iniciativa busca revelar a riqueza de seus projetos, discutir sua atualidade frente aos desafios ambientais contemporâneos e estimular novas formas de compreender a paisagem brasiliense. Ao revisitar esses espaços, pretende-se não apenas preservar a memória de Burle Marx, mas também reconhecer sua obra como um laboratório vivo para refletir sobre biodiversidade, patrimônio, cultura, educação ambiental e cidades resilientes.
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