Projeto de pesquisa, IFAL
Associação entre fatores psicossociais do trabalho, qualidade do sono e sintomas gastrointestinais em trabalhadores da educação.
Descrição
Os fatores psicossociais do trabalho têm sido reconhecidos como importantes determinantes da saúde física e mental dos trabalhadores, especialmente em ocupações caracterizadas por elevadas demandas cognitivas e emocionais, como aquelas exercidas no contexto educacional. Evidências recentes demonstram que a exposição crônica ao estresse ocupacional pode comprometer a qualidade do sono, favorecer alterações neuroendócrinas, imunológicas e autonômicas e influenciar o funcionamento gastrointestinal por meio da interação cérebro-intestino, um sistema bidirecional de comunicação envolvendo o sistema nervoso central, o sistema nervoso entérico, o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, o sistema imunológico e a microbiota intestinal (KRAIMI et al., 2024; DOENYAS et al., 2025). Estudos atuais também sugerem que alterações da qualidade do sono podem modificar a composição da microbiota intestinal e contribuir para o desenvolvimento de distúrbios da interação cérebro-intestino, anteriormente denominados distúrbios gastrointestinais funcionais (FARMER; GRACIE, 2023; LIN et al., 2024). Apesar dos avanços científicos observados na área da neurogastroenterologia, ainda existem importantes lacunas do conhecimento relacionadas às populações ocupacionais, especialmente no contexto brasileiro. São escassos os estudos que investigam simultaneamente fatores psicossociais do trabalho, qualidade do sono e sintomas gastrointestinais em trabalhadores da educação, limitando a compreensão dos mecanismos envolvidos no adoecimento ocupacional e o desenvolvimento de estratégias institucionais de promoção da saúde. Diante desse cenário, o presente estudo tem como objetivo investigar a associação entre fatores psicossociais do trabalho, qualidade do sono, hábitos relacionados à saúde intestinal e sintomas gastrointestinais em trabalhadores da educação do Instituto Federal de Alagoas (IFAL), Campus Palmeira dos Índios, buscando produzir evidências sobre a interação cérebro-intestino em uma população ocupacional ainda pouco explorada pela literatura científica nacional. Trata-se de um estudo observacional, transversal e analítico, a ser realizado com servidores docentes e técnicos-administrativos do IFAL. A coleta de dados será realizada por meio de questionários validados para avaliação dos fatores psicossociais do trabalho (Job Content Questionnaire), qualidade do sono (Pittsburgh Sleep Quality Index), sintomas gastrointestinais (Roma IV) e saúde mental (GAD-7 e PHQ-9), além de informações relacionadas aos hábitos de vida e à saúde intestinal. Os dados serão submetidos à análise estatística descritiva e inferencial para identificação das associações entre as variáveis estudadas. Espera-se identificar a prevalência de sintomas gastrointestinais, alterações da qualidade do sono e exposição a fatores psicossociais adversos entre os trabalhadores avaliados, bem como compreender as relações existentes entre esses fatores. Os resultados poderão contribuir para a compreensão dos mecanismos envolvidos na interação cérebro-intestino em trabalhadores da educação e subsidiar ações institucionais voltadas à promoção da saúde, prevenção do adoecimento ocupacional e melhoria da qualidade de vida dos servidores. Conclui-se que a produção de evidências sobre a associação entre fatores psicossociais do trabalho, qualidade do sono e sintomas gastrointestinais poderá ampliar o conhecimento científico nacional sobre a interação cérebro-intestino em populações ocupacionais, contribuindo para o fortalecimento das políticas de saúde do trabalhador e para o desenvolvimento de intervenções baseadas em evidências no âmbito dos Institutos Federais. Palavras-chave: Saúde do Trabalhador; Fatores Psicossociais do Trabalho; Qualidade do Sono; Distúrbios da Interação Cérebro-Intestino; Sintomas Gastrointestinais.
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