Projeto de pesquisa, UFPE
TRAGÉDIA E POTÊNCIA: UMA (SOCIO) ANÁLISE DA TRAJETÓRIA SOCIAL DOS TRÂNSFUGAS DE CLASSE DO BRASIL CONTEMPORÂNEO
Descrição
No Brasil, as mudanças na estrutura social sempre favoreceram quem já estava no topo da estrutura social – as classes dominantes –, não, a ampla maioria da população (o povo brasileiro). São raros os momentos de “abertura do espaço social”, acompanhada da redução das desigualdades. Na grande maioria dos casos de mobilidade social são mais frequentes os arranjos sistêmicos da mudança da estrutura ocupacional, o que gera um deslocamento das ocupações devido à reestruturação da esfera produtiva, mas sem estar acompanhada da redução das desigualdades socais, regionais e históricas - isto é, de uma canalização redistributiva para os mais pobres, para os excluídos da sociedade-. Essa tragédia se reproduziu diante dos nossos olhos, como se essa realidade social e histórica fosse algo natural e não uma construção social, o que é uma violência simbólica, como fala Bourdieu. No entanto, entre 2003 e 2011, há uma evolução na estrutura social do país, um novo padrão de mobilidade socioestrutural, que surge a partir de uma confluência de fatores políticos (políticas públicas do Estado) e econômicos (reestruturação produtiva do capital) que afetam sobretudo a base da pirâmide social, a massa, os mais pobres, o povo, gerando impactos diretos na redução das desigualdades sociais e um movimento na estrutura de classe social do país (Ipea,2012; Pochmann, 2010; 2015; Souza, 2010; Ribeiro, 2017; Quadros, 2008; 2010). Nesse cenário vemos na História recente do Brasil um padrão de mobilidade social que atinge prioritariamente os mais pobres, a base, promovendo “uma mobilidade social ascendente muito expressiva nos estratos inferiores da população” (Quadros, 2010.p.3). Nesse âmbito, o presente projeto de pesquisa pretende objetivar a partir de uma (socio) análise da trajetória social das frações de classe em ascensão, que passaram por uma mobilidade social ligada (vínculo institucional) a universidade e as políticas públicas educacionais, o que chamamos de “batalhadores culturais” (Alves, 2018; Silva,2024).Os batalhadores culturais são os trânsfugas de classe, que ascenderam a partir da incorporação de capital cultural legítimo, do ingresso em universidades e de políticas públicas socioeducacionais, como a expansão e interiorização das universidades públicas, as cotas sociais e raciais, o Prouni nas instituições privadas, dentre outros. É um fenômeno novo, intergeracional em relação aos "batalhadores": são os seus filhos, que ingressaram na universidade por meio de políticas educacionais, uma fração cultural (de incorporação do capital cultural de forma tardia), que chamamos aqui de "batalhadores culturais".
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