Projeto de extensão, UFPA
Vozes da ancestralidade: tradição oral e literatura indígena em contexto urbano
Descrição
A literatura indígena brasileira é o ativo político-cultural mais importante do processo de democratização dos direitos culturais e linguísticos. A literatura indígena também marca a luta dos povos indígenas pelos direitos linguísticos, assegurando a manutenção e a recuperação das línguas originárias. A cidade de Altamira, localizada no Médio Xingu, concentra mais de três mil indígenas vivendo em contexto urbano, os quais fazem parte das Associações Indígenas, que buscam fortalecer as políticas de reconhecimento dos sujeitos indígenas em contexto urbano. No entanto, nota-se empiricamente que os sujeitos indígenas têm dificuldade de autoreconhecimento publicamente, devido ao preconceito, aos estigmas causados pela sociedade não indígena. Durante e após a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte constatamos que o quadro de preconceito e de estigma social se aprofundou, em virtude da presença de trabalhadores de outras regiões do estado brasileiro e dos conflitos causados pelo deslocamento compulsório de famílias indígenas. Para enfrentar essas realidades, o presente projeto visa realizar rodas de conversas e de leituras de obras literárias de autores e autoras indígenas com crianças nas Associações Indígenas de Contexto Urbano e com crianças no Residencial Urbano Comunitário (RUC) “Jatobá”, a partir do projeto “Aldeias”. A metodologia de trabalho incorporará diferentes profissionais de distintas áreas do conhecimento, do Campus Universitário de Altamira, a fim de demonstrar que a literatura como autoexpressão e autoafirmação funciona como estratégia de fruição, de saber não pragmático, de saber ancestral de si e do outro.
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