Projeto de extensão, UFC
Paisagens do Invisível, Poéticas de Si
Descrição
“Paisagens do Invisível, Poéticas de Si” é um projeto de extensão universitária que se propõe a criar um espaço coletivo de investigação sensível, onde estudantes, artistas, pesquisadores e membros da comunidade possam olhar além do visível, ou melhor, olhar contra o visível imposto. A partir da fotografia contemporânea como prática ética, política e poética, o projeto investiga aquilo que foi historicamente silenciado, esquecido, apagado ou marginalizado pelos regimes hegemônicos da representação visual: corpos racializados, subjetividades dissidentes, memórias familiares e territoriais, afetos não nomeados, ausências estruturais e narrativas que resistem à lógica do arquivo oficial. Inspirado nas ideias de “imagens que queimam” (Didi-Huberman), “imagens pensantes” (Samain) e na noção de regimes visuais (Rancière), o projeto entende a fotografia não como mero registro, mas como ato de enunciação, gesto de cuidado e ferramenta de justiça visual. Ao articular teoria crítica (com autores como Barthes, Hartman, Azoulay e pensadores decoloniais), prática artística (por meio da produção de ensaios fotográficos autorais e coletivos) e memória coletiva (a partir de arquivos pessoais, orais e comunitários), o projeto busca desestabilizar os cânones eurocêntricos da imagem e abrir caminho para outras visualidades, plurais, encarnadas, situadas e politicamente conscientes. Desenvolvido em parceria com o Museu da Fotografia de Fortaleza, o projeto se realiza em encontros quinzenais que combinam leituras teóricas, análise de obras, oficinas práticas e visitas a acervos, culminando em uma exposição pública cujos ensaios serão incorporados ao acervo institucional, tornando-se bens culturais de acesso livre. Essa abertura ao público e à comunidade externa à universidade reforça o compromisso com uma extensão horizontal, colaborativa e transformadora, que não apenas “transfere” conhecimento, mas coconstrói saberes sensíveis e críticos. Assim, “Paisagens do Invisível, Poéticas de Si” se afirma como uma iniciativa que contribui para uma universidade mais aberta, criativa e comprometida com a justiça epistêmica e social, uma universidade que, ao invés de reproduzir regimes de visibilidade excludentes, se torna terreno fértil para o surgimento de novas formas de ver, narrar e existir. Nesse sentido, o projeto não apenas investiga o invisível: ele o convoca, o acolhe e o transforma em poética coletiva.
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