Projeto de pesquisa, UFAL
MONITORAMENTO EPIDEMIOLÓGICO DE AGRAVOS CARDIOVASCULARES PRODUZIDOS POR INFECÇÕES DO VIRUS DENGUE
Descrição
A dengue (DENV) é uma doença de origem viral, pertencente às arboviroses, da família Flaviviridae, de importância médica devido as suas características evolutivas que podem levar ao óbito em curto espaço de tempo. Com transmissão vetorial, apresenta como sintomatologia geral: febre alta, cefaleia, mialgia, prostração e erupções cutâneas1. Embora a dengue seja tradicionalmente reconhecida por suas manifestações febris e hemorrágicas, evidências recentes apontam para o envolvimento cardiovascular como fator associado à maior gravidade e mortalidade2. Clinicamente, a evolução mais relevante é a hemorragia, devido à perda volêmica e choque da dengue, com graves repercussões cardíacas, bem caracterizada como, miocardite, pericardite e insuficiência cardíaca congestiva, com sinais evidentes: irregularidades de sinais de pulso e hipotensão, elevação da CK-MB e sinais eletrocardiográficos especialmente na onda T3. Uma recente revisão sistemática demonstrou que a incidência de miocardite é cerca de 27,21%, representando uma complicação cardíaca que pode evoluir para o óbito4. Segundo o protocolo nacional do manejo da DENV, as complicações devem ser inseridas no Sistema de Informações de Agravos de Notificações, bem como óbitos oriundos de agravamentos de agentes infecciosos através do sistema de obituário nacional5. Entretanto, esses agravos parecem ser frequentemente subdiagnosticados e/ou subnotificados. Objetivo: O objetivo deste trabalho foi realizar a busca das notificações de miocardite referendando os agravos em doenças cardiovasculares de origem infecciosa derivados da dengue, de notificação compulsória, visando contribuir para traçar um perfil epidemiológico de agravos cardiovasculares no Estado de Alagoas. Metodologia: Foi adotado um estudo transversal, através de consulta pública nos sistemas DATASUS, SINAN e SVO. A busca foi realizada no período de 2000 a 2025, os filtros utilizados para restringir a pesquisa tratavam-se de critérios de regionalização ao nível estadual, assim como a busca por descritores nos sistemas cruzando as informações sobre a dengue, morbidade e óbitos oriundos do sistema cardiovascular. Resultados: Para todas as buscas quando os filtros eram cruzados na pesquisa, observaram-se discrepâncias entre os casos notificados nos portais de estatísticas de agravos de doenças e óbitos, as doenças relacionadas a DENV no SINAN com evolução para óbito na categoria clínico-epidemiológico permanecem sem dados registrados, enquanto na categoria laboratorial há uma média de 8,2% nos casos de “óbitos pelo agravo notificado” entre os anos de 2000-2025. Ao realizar a mesma pesquisa pelo serviço de verificação de óbito há uma média de 5,9% de óbitos registrados no capítulo I do CID onde os óbitos são oriundos de agentes infecciosos sem caracterização do agravo. Conclusão: O registro inadequado nos serviços de notificações de agravos e óbitos sugere possíveis subnotificações de doenças de agravo, como a dengue, e sua correlação com a miocardite como causa do agravamento patológico.
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